ANECRA quer legislação para prática de 'tuning'
Numa altura em que cresce a polémica em torno da prática do tuning (veículos automóveis modificados), devido a acidentes resultantes de corridas em zonas de grande intensidade de tráfego, a Associação Nacional das Empresas do Comércio e Reparação Automóvel (ANECRA) decidiu apoiar oficialmente esta actividade. E apela ao Governo para que seja criada legislação com vista a "dignificá-la, adaptando-a à realidade europeia". Nesse sentido, vão encetar contactos com a Direcção--Geral de Viação.
"É uma nova oportunidade de negócio em franco desenvolvimento a que as empresas do sector automóvel podem aceder, tendo dado origem ao aparecimento de um novo perfil de clientes", assume, em declarações ao DN, Neves da Silva, secretário-geral da ANECRA, lembrando que, nessa perspectiva, o tuning "já está a singrar" em Espanha. Para tal suceder também em Portugal é preciso "desmistificar a ideia errada deste sector", nota, chamando a atenção para o facto de "uma coisa tem a ver com o abuso das corridas de rua, desrespeitando o Código da Estrada, e outra com a transformação de veículos, o que é perfeitamente legal". Por isso, defende, "há que criar as condições necessárias para que os profissionais e empresários deste sector possam desenvolver o seu trabalho".
Para já, aquela associação vai efectuar um inquérito para ficar a conhecer qual o estado do tuning em Portugal. "É necessário saber quantos somos, onde estamos, como estamos, o que são as empresas de tuning e como funcionam, de forma a assegurar a criação de um adequado enquadramento legal e regulamentar para as actividades do sector", sublinha Neves da Silva.
Proibir importação de usados
Por outro lado, a ANECRA exorta o Governo a introduzir medidas legislativas, visando "dificultar ou mesmo impedir a importação dos veículos usados que não cumpram, pelo menos a chamada Norma Euro 3 (exigência de catalisador), de mo-do a não agravar mais ainda a questão ambiental, no tocante às emissões de gases de efeito de estufa".
De acordo com Neves da Silva, "há muitos carros usados com mais de 13 anos sem catalisador a circular em Portugal. A maioria vem de Franca, da Bélgica e da Holanda. Ou seja, o que já não presta nesses países é que vem para cá. Por isso, o nosso parque automóvel está bastante degradado". Tendo ainda em conta o aspecto ambiental, o dirigente associativo sugere que seja "penalizada a importação" de carros usados com motor a diesel, desde que os mesmos não estejam equipados com filtros de partículas resistentes.
Sem comentários:
Enviar um comentário